maryw's posterous http://maryw.posterous.com Most recent posts at maryw's posterous posterous.com Fri, 02 Mar 2012 11:31:00 -0800 Untitled http://maryw.posterous.com/107155439 http://maryw.posterous.com/107155439

Choradilma

Meu avô ficou muito doente antes de morrer. E ele tinha enfisema pulmonar, que é uma doença muito incômoda. Existem uns paliativos, remédios e até aquele tubo de oxigênio. Ele morria de medo de ter crises muito excessivas. Um dia, ele estava sentado e começou a perguntar sobre todos os paliativos. "Tem isso? Tem aquilo?". Minha tia ia respondendo com calma. Até que ela engrossou. "O senhor tá passando mal, papai?". E ele respondeu. "Não, mas é na possibilidade...". A frase virou uma piada da minha família. E dele também. "É na possibilidade...", a gente usa quando as pessoas parecem estar sendo muito minuciosas ou tomando precauções claramente desnecessárias. Quando eu vi a Dilma nomear o Crivella, pensei nisso. É na possibilidade... Porque o governo dela tem feito isso desde a campanha. Na possibilidade de evocarem o kit anti-homofobia e da população paulistana encrencar com isso, começa uma série de ações desencontradas e de impacto duvidoso. Então me parece uma coisa de pateta mesmo. Ou pode ser que exista mesmo afinidade ideológica entre o Crivella e Lula/Dilma. A fidelidade do senador foi evocado por trocentos bocós blog prog. O caso é que o Crivella é senador pelo RJ. O ministério é apontado como uma estratégia para a eleição de SP. Os principais articuladores da candidatura do Russomano desdenharam do presente. Ou seja. Ela gastou a munição principal. No tal presidencialismo de coalizão nada é mais atrativo que ministério. Ela gastou a munição e saiu sem nada. Foi ridicularizada pelo próprio Crivella. Que deixou claro que não entende de pesca e debochou da imprensa e do governo. Ficou exibindo a musculatura política. Não entendo e nem preciso. E a presidenta assinou a nomeação chorando. O caso pra mim é que o governo tem negociado com a inexistente bancada evangélica desde a eleição. E embora a instabilidade seja parte do conceito de presidencialismo de coalizão, lidar com a tal coalização é parte fundamental do processo de governar. Se o Lula já tinha sido o rei do "é na possibilidade...", a Dilma parece ter medo de ser acuada e se antecipa. Então não há negociação. Eu te ofereço 100, você quer pagar 50. A Dilma chega oferencendo 10 e aí complica demais. O Fernando Haddad é a principal candidatura de oposição em SP e vai, sim, ao segundo turno. Não tem o menor cabimento tratar o Russomano como favorito. E muito menos dar poder federal para um grupo por conta de resultado municipal. Isso é uma inversão tão grande de prioridade que me espanta que alguém realmente acredite nisso. De SP ser estratégico e sei lá mais o quê. Isso me lembra de outra história. Que o Jânio Quadros veio fazer campanha pra presidente aqui na região. E o prefeito de Meridiano, uma cidadezinha aqui perto, fez uma série de cobranças pro Jânio e ameaçou não apoiar a candidatura dele. O Jânio ficou puto, subiu no palanque e começou o comício dizendo. "Com Meridiano ou sem Meridiano, eu serei o próximo presidente do Brasil". Meu pai tava no comício \o/. Hoje é dia dos meus homens mortos, como você bem pode notar. Então é isso. O PT tá no governo federal há 9 anos. O PSDB tem SP e agoniza em praça pública. E a Dilma é coagida a iniciar os trabalhos pelas alianças municipais entregando, sem qualquer garantia, uma jóia da coroa. De quebra ela macula a imagem de gestora íntegra, tão cara à classe média paulistana. Grupo que tem aversão ao PT e que estava sendo embalado por ela. A simpatia da classe B paulista não é papo furado. Isso está realmente acontecendo e devia ser festejado pelo PT. Eu considero uma PÉSSIMA jogada política. Em termos de estratégia mesmo. A bancada evangélica não existe. O que existe são neocons tupiniquins que atraem o voto da base da pirâmide despolitizada simplificando questões "morais". Esses votos sempre foram manipuláveis e são super suscetíveis a pequenos favores. O ministério da pesca não garante nada pra 2014. Não garante nada na eleição municipal. De quebra, fica a pecha de ter nomeado um pastor da igreja universal. Acho que ela perde demais. Nunca vi isso. Entregar mais do que é pedido.

 

Eu acho que vale demais acompanhar os blog prog nesses episódios todos. Pra entender mais alguns fenômenos contemporâneos. Tipo o esgotamento dos partidos. Tem um tal de ale porto que é um completo pateta. Diz coisas como "lava a boca antes de falar da Dilma". E tem uma tal de radinha. Que ele usa pra fingir que também é um amante das artes e não apenas um capanga. Um outro chamado stanley burburinho, é ainda mais assustador. Ele tuita o dia todo sobre política. E faz ameaças e falsas ligações entre os fatos. Então é isso. Eu sempre me considerei militante do PT. Mas eu não sou. A militância é essa. ale porto e burburinho. Essas são as pessoas que fazem, hoje, do PT, um partido de massas. É muito interessante observar. Noves fora, resta o puxa saquismo. Tem um tal de eduguim também que é bastante ridicularizado. Mas dele eu não consigo falar. Tenho pena mesmo. Ele é burro feito uma porta.

 

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Wed, 11 Jan 2012 09:37:00 -0800 Untitled http://maryw.posterous.com/93515307 http://maryw.posterous.com/93515307

Vou escrever sobre BBB aqui:

 

http://tvwonders.net/category/tv-aberta/bbb/

 

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Thu, 05 Jan 2012 22:41:00 -0800 Untitled http://maryw.posterous.com/92203613 http://maryw.posterous.com/92203613

Brigadeiraobeijo

Eu tendi a concordar com o Stycer quando ele disse que o elenco do BBB era mais do mesmo e que não tinha nenhum perfil original etc. E é verdade isso. Mas eu queria dizer que é isso que faz o programa ser bom. Porque o perfil é tão semelhante e a história nunca é sequer parecida. Acho que todo mundo já abandonou o lance de buscar um ~perfil do ganhador~. Porque, né? Deixou de fazer sentido. Eu assisti 10 BBBs. Tentando ser metida a besta e analítica e não sei quê. E o caso é que estou aqui, hoje, sem nada. Sem pista. Sem rumo. Desde que um triângulo amoroso foi consagrado, perdemos a condição. E ano passado a hola foi intuitiva. Ninguém sabe por que a Maria ganhou. Assim, se pensarmos em modelos. Todo mundo sabe por que a Maria ganhou. Assim, se pensarmos... NELA. Então o bom do mais do mesmo é isso. As pequenas singularidades se sobressaem. Dizem que fez revolução um antropólogo. Porque tava todo mundo pensando "o que esse povo faz de diferente?". E ele perguntou "o que esse povo faz de igual?". E a gente fica olhando então. O que há de igual. E créu, né? As pequenas diferenças ganham o jogo. Então Proposta para 2012. Vamos olhar esses "iguais" aí e tentar enxergar antes. O que eles tão fazendo de diferente. Que nem o Alemão fez. Ele que era o rei do mais do mesmo. E a Maria então? Aquele clichê tão singular. Você pode querer saber. Assim. Pela fuça. De quem eu gostei mais. De ninguém, bebê. Por enquanto, a única coisa que eu gosto é do blog da Morango*.

E pra quem não viu a boa entrevista da Natália (e as patetices do Fernando).

*Minha mãe tava vendo retrospectiva BBB hoje. Eu comentei que o Brigadeirão de Copacabana foi a moça mais bonita que pisou naquela casa. Ela discordou quase nervosa. Me lembrei da Manu. Me lembrei da Tonton. E né? Fica difícil. Mulheres que eu amei. Mas olha. Em Copacabana fica o meu coração. E como estive lá por esses dias. Posto a foto a nível de homenagem. beijo, carol. Campeã Moral daquela josta em 2008.

 

Apareceu um gato aqui. Adulto já. Eu já tinha visto ele na rua, com a Missy. E parece que eles são amigos. Sei que ela ensinou ele a entrar aqui. E ele fica dando pinta pela casa, pelo quintal. Um fofo. Tudo indica que será para sempre. Daí temos que batizar. Todos os gatos por aqui tem nomes de ex-BBBs. Daí eu e a Marina tentando batizar. Sugeri. Podia ser Mau Mau ou Filé. E a Marina, rapidamente. Filé, Filé. Ponto para a Maria.

 

Eu tô bêbada. Caso o post não faça sentido, pode ser. Dentre outras coisas: isso.

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Wed, 07 Dec 2011 16:58:00 -0800 Untitled http://maryw.posterous.com/84527366 http://maryw.posterous.com/84527366

Exbbbmetidoabesta

Eu não consigo entender nessa discussão toda do PL122 onde o movimento gay quer chegar. O congresso refuga pra votar qualquer coisa GLBTT. Não é que vota contra. Não quer nem votar. Porque não quer se posicionar em relação a isso. E se por acaso tiver que se posicionar, há indícios de que vai se posicionar contra. Então é feito um projeto de lei pra criminalizar a homofobia. E há um ponto polêmico que atenta, sim, contra a liberdade de expressão. E os pastores e padres ficam contra porque eles acham que nós somos pecadores. E eles querem poder dizer isso no culto, na missa, sei lá onde eles se reunem. Aí as duas principais parlamentares do PL122 não conseguem reeleição. A gente não sabe, né? Se isso TIROU votos delas. Mas a gente sabe que não deu votos a elas. Daí entra a Marta Suplicy. E resolve fazer essa porra ANDAR. Porque ela, Marta Suplicy, fez um projeto de união civil que ficou EMPACADO. Porque são projetos que empacam. Ela chamou os principais interessados. Que são os evangélicos sim. Eles tem a bandeira da família. É deles e ninguém tasca etc. Chamou representante GLBTT e chegaram num ponto comum. Para que o projeto tenha condição de ser VOTADO. E talvez aprovado. O outro projeto não tem condição de passar. E não é por causa do Crivella. Alguém entra no site do Senado. E olha para a fuça dos senadores. E me aponta quais deles votariam isso. O improvável é reação do movimento e dos gays e lésbicas em geral. Todo mundo ATACANDO a Marta no twitter. Como se ela fosse o inimigo. Eu estou completamente passada porque considero o movimento feminista um fiasco tão grande no século XXI. Um movimento cheio de conquistas e que só consegue levar pras mulheres comuns uma pauta negativa. Toda vez que o movimento feminista se apresenta é pra chorar pitanga. Nunca pra exibir as conquistas. O resultado é uma militância paranóica e vitimizada. O movimento gay se apresentava pra mim como o oposto disso. Um movimento com agenda positiva. E eu não sei se foram esses ataques na Paulista. Não sei mesmo. Mas o movimento tá pegando esse cacoete loser (que as feministas exibem maravilhosamente bem). Então tivemos um ano excelente. Com ministros do Supremo saindo do armário. Com espaços cada vez maiores. Com frente parlamentar e tudo mais. E aí panz. Os GLBTT estão defendendo que a gente vá pra plenário com um texto completamente desamparado. Pra, certamente, a gente PERDER no plenário. Perder feio, pra todo mundo se abraçar e chorar o mundo homofóbico. E os malditos evangélicos. E os bispos todos do Brasil. E me parece que o deputado Jean Wyllis orquestra tudo isso. Na minha opinião ele não quer concorrência como representante GLS do Congresso. Então a Marta é tratada, por ele, como inimiga da causa. No twitter, a gente lê APELOS para ela. Por favor, senadora, não coloque em votação. Snif snif. A maioria das pessoas parece mesmo acreditar que as coisas vão pra votação e seja o que Deus quiser. Ninguém faz ideia de articulação política. Portanto, eles querem no plenário um projeto de lei que seja lindo. E acham que tudo se resolverá se colocarem #vaiPL122 nos TT. Se eu fosse a Marta tirava o time de campo. Ela já tem rejeição suficiente por conta da fama de GLS. E deixa com o Jean. Dramático, tenho certeza que vai usar esse expediente aí. Da pauta negativa. 

 

Minha prima é secretária da saúde. Está sendo processada. Ela, pessoa física. Porque não cumpriu uma ordem judicial. Juiz mandou internar uma menina viciada em droga. Ela encaminhou pro CAPS. E a psiquiatra do CAPS achou que não era caso de internação. E não permitiu que a menina fosse internada. Assim. Quando chegou a intimação, o advogado da prefeitura ligou para a doutora. Ela respondeu que discorda do juiz. E o advogado então falou "QUEM VOCÊ PENSA QUE É PRA IGNORAR UMA ORDEM JUDICIAL?".

 

E é bem o caso. Várias pessoas dizendo que não importa o que o Crivella ou a bancada evangélica acha. Que nesse assunto eles não tem que palpitar. E eu pergunto:

 

QUEM VOCÊS PENSAM QUE SÃO, SEUS AUTORITÁRIOS DE MERDA?

 

Eles tem um mandato popular. No Congresso, eles palpitam o que quanto quiserem.

 

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Sun, 30 Oct 2011 22:21:00 -0700 Untitled http://maryw.posterous.com/77970248 http://maryw.posterous.com/77970248

Semmaissimsdetona
Hé.

 

\o/

 

 

 

 

Eu amo esse jogo.

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Thu, 27 Oct 2011 23:09:00 -0700 Untitled http://maryw.posterous.com/77551959 http://maryw.posterous.com/77551959

Dilmagripada

Eu tava falando com ela hoje que me impressiona o Google não saber fazer rede social. Porque é óbvio que as pessoas que trabalham lá sabem como funciona uma rede social. Mas a coorporação não tem isso na alma. E então não dá conta. Eu tô tentando mexer no Google+. E só penso isso. Nossa. Eles não sabem mesmo. O que é muito chato porque eles tem umas ferramentas ótimas pra interação. Mas não ficam felizes. E hoje eu fiquei olhando pro Google+ e, MAIS DO QUE NUNCA, lamentando o fim do Google Buzz. Eu trabalho à tarde e à noite. Então acordo meio-dia. E vou trabalhar. No meu trabalho não pode usar rede social. Mas o Buzz pode. Então eu fico sabendo de tudo pelo Buzz. E o dia transcorreu. Eu entrei no twitter no fim da tarde, pra tratar de um assunto específico. E só twittei de fato agora à noite. E meu deus. O Buzz tinha deixado passar solenemente a informação (sic) de que o William Waak era agente da CIA. E no twitter isso tinha sido o assunto do dia. Conforme a madrugada avançou, novos agentes da CIA foram sendo denunciados. Fernando Rodrigues, Merval Pereira. Um pessoal. Qualquer link que eu abria tinha lá. O blog Brasil que Vai publicou baseado nos telegramas do Wikileaks. E cara. O Wikileaks tá fechado. E o blog Brasil que Vai não existe. E na lista de política* era esse o assunto. Como todo mundo ali é esperto, a gente só pode acreditar que as pessoas repassavam os links de má fé mesmo. Ou como uma espécie de piada. Enfim. Todo esse trabalho de democratizar a informação e trazer pra gente um noticiário transparente e apurado. E é exatamente por isso que o Buzz ainda é tão legal. Porque tem aquele clima de blog antes da invasão midiática e partidária. Que eu poderia usar mil palavras pra descrever mas que hoje posso resumir como sendo boa fé. A relação que regulava os blogs antes e que eu sinto no Buzz hoje é a boa fé mesmo. Aí, como que pra fechar. Vejo um papo dos petistas de twitter. Eles falam que o PIG está sempre querendo matar a Dilma e insinuar que ela está doente etc. E mencionam um twit do agente Fernando Rodrigues. E cara. Que desgosto. Que gente burra. Incapazes de entender citação pop. Uma das histórias mais legais do jornalismo do mundo é essa.  O Gay Talese tem uma entrevista marcada com o Frank Sinatra. Chega lá e é avisado que não tem entrevista nem reportagem. O Frank Sinatra acordou indisposto, com nariz escorrendo e de mau humor. Mas deixam o Talese ficar por lá. E ele mancheta assim, a revista:

 

Frank Sinatra está gripado

 

Porque uma gripe do Frank Sinatra é melhor que um show de qualquer outro. Porque não importa o que ele vai dizer. Ele é o Frank Sinatra. E é isso. A notícia É ELE. E o caso hoje foi esse também. O Lula fez aniversário. Um ministro caiu. Outro subiu. O blábláblá tá grande. Mas, né? Nada do que tá sendo dito importa. Porque com ela, ninguém falou. Ela está gripada. Aguardemos, então, a gripe passar. 

 

*As pessoas que falam muito de política eu deixo numa lista. Por motivos óbvios. 

 

Eu queria falar mais mal um pouco dos petistas de twitter. Porque eles falaram tanto que a presidenta seria frágil se demitisse o Orlando Silva. Porque seria refém do PIG etc. E cara. Desde que ela assumiu eu só ouço uma unanimidade em relação às preferências dela. Todos dizem que ela DETESTA o Aldo Rebelo. E eu fiquei com pena dela hoje. De saber que ela teve que fazer isso. E de pensar como a suposta militância, na verdade, não tem a mínima solidariedade com ela. Ninguém acenou pra ela, diante dessa imposição da base aliada. O cara que todo mundo sabe que ela não suporta. Mas ó. Vou falar uma coisa. A minha solidariedade ela teve. Porque, né? Ninguém mérece. E humana, eu sou. Então. Beijo, Dilma. Muito chá. Que o Aldo roube logo. E caia logo. 

 

 

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Tue, 25 Oct 2011 19:45:00 -0700 Untitled http://maryw.posterous.com/77253247 http://maryw.posterous.com/77253247

Simone6

Eu tenho amiga que vai pra Paris e se lembra de mim. E cara. Me faz até chorar. Numa hora assim. Terça-feira. Quase uma da manhã. E falou tudo que eu falaria. Que era só obrigada mesmo. Eu estava falando hoje sobre isso. Que eu saí pra tomar cerveja com a coordenadora do curso de Serviço Social. Tava falando que eu não sou mais mulher. Mas que minhas alunas são. Eu sou a professora de Relações de Gênero delas. E elas contam. Que foram espancadas e abusadas. Uma delas largou do marido e a família parou de pagar a faculdade. A outra resgatou a madrasta, escondida no bueiro, com medo de apanhar. E elas contam e recontam as histórias. E até parecem oprimidas, mas são as donas das histórias todas. Então eu abri meu email e vi isso. E comecei a chorar. Porque, né? Sou menina e tal. E choro mesmo. E tava pensando. Porque a gente falou nesses termos. Eu e a coordenadora do Serviço Social. A gente falou se ainda é mulher ou se nem é mais. Se eu sou. Merci. Se não sou. Merci. E um beijo, Ju. Espero conversar sobre isso com você. Se somos mulheres ou não etc.

 

:***

Claro que essa discussão do ser/nao ser mulher é nos moldes que a Simone concebeu. Do ter se tornado e não sei que.

 

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Sat, 22 Oct 2011 01:21:00 -0700 Untitled http://maryw.posterous.com/76480044 http://maryw.posterous.com/76480044

Lafuerza

 

Eu imagino que todo mundo tenha visto. Mas eu não tinha visto nada da propaganda política da Cristina Kirchner. Acabei vendo hoje só. E tô aqui até agora. Porque vi quase tudo, né? E depois quis ver Alfonsín e Binner. É super fácil de perceber a diferença das propagandas. Por isso que eu recomendo demais. Ela faz a linha paz e amor. O Alfonsín é o corvo do apocalipse. O Binner tenta convencer de que pode fazer melhor que ela (No nos conformemos con menos, é o lema dele). Eu não descobri o lema do Alfonsín. Ela usa o Fuerza, Cristina. Os outros não vi (ainda). Pretendo passar o sábado entre o hospital e os vídeos. 

 

Recomendo:

 

Alfonsín: 

Inflacion (me lembrou um pouco a favela fake do Serra, a primeira cena. É uma pobreza Os Comedores de Batata)

Quería hablarle, Cristina (ele diz que ela já ganhou, faz mimimi que ela não debateu com ele etc)

 

Binner:

Sueño (só pra dar a vibe da campanha dele. eu não acompanhei a campanha. e tô arrependida por isso. porque ele é otimista mas eu não sei dizer se foi pautado por ela)


Cristina!

La Fuerza de la Alegria (achei genial. assim. foi o que me fisgou, foi o primeiro que eu vi. e outra coisa. eu tenho certeza que o mote os marqueteiros pegaram da torcida do corinthians. assim. tenho certeza mesmo)

 

@Hugo_Avelar AQUI TEM UM BANDO DE LOUCOS, LOUCOS POR ~TEU BOTOX~ CHRISTINA!!


La Fuerza de Él (que é pro Néstor. é bem bonito e ela fala com uma voz muito emocionada e acaba emocionando a gente etc)

La Fuerza de la Educación (porque aparece um beijo gay na abertura. veja bem. UM BEIJO DE DOIS HOMENS. assim. no horário eleitoral)

 

 

Eu gostei demais da campanha de vídeo dela (bem emocional etc). Tem os vídeos por tema (crescimento, educação, produção) e contando histórias de pessoas. Curti mais os de tema.

 

 

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Thu, 13 Oct 2011 10:15:00 -0700 How I met Alex Castro http://maryw.posterous.com/how-i-met-alex-castro http://maryw.posterous.com/how-i-met-alex-castro

Convite_onde_sp_final

Eu acho REALMENTE que ele é a pessoa mais polêmica da blogosfera. Conheço quem ama. Conheço quem odeia. Até eu tive uma fase de implicância antes de cair de quatro, apaixonada. Tanto tempo que eu quero conhecer esse moço. Tantas vezes eu planejei e não deu certo. Mas eu acho que agora vai. Amanhã já vou estar pronta pra te dizer. O que eu achei do Alex etc.

Um beijo, querido. Sucesso. Até amanhã :*

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Mon, 10 Oct 2011 11:15:00 -0700 Untitled http://maryw.posterous.com/74921738 http://maryw.posterous.com/74921738

O deputado Jean Wyllys se meteu numa polêmica ontem. E a gente conversa muito sobre isso, né? Celebridades e políticos que não dão conta de usar as redes sociais de maneira adequada. Um deputado é um representante popular e parece óbvio que deve saber lidar com críticas etc. Pelo que eu entendi, alguém disse que o PSol usou a tática tiririca no caso do Jean. O partido sabia da boa votação do Chico Alencar e quis levar alguém com ele. Daí escolheu o Jean porque ele é um ex-BBB e teria mais alguns votos. Então gente mais "historicamente" ligada ao partido foi preterida etc. É uma crítica válida e que tem que ser respondida. Sempre. Eu já vi milhões de vezes o Jean entrar na lista dos parlamentares freaks. Com Romário, Tiririca etc. Eu acho que ele deveria ter uma assessoria de imprensa pra tratar disso. Com uma estratégia montada já e tal. Eu sou alguém que tem zero preconceito com ex-BBBs. Eu os adoro, inclusive. E o Jean teve uma participação bastante interessante no programa. Ele manteve princípios e valores mesmo quando foi acuado. Enfim. Ele foi o cara. Mas ele morre de vergonha disso, parece. E não fala mais sobre o assunto etc. Só que. Ele SÓ é deputado por causa do BBB. As pessoas conheceram ele através do programa. Ele se mudou pro RJ por conta disso. Daí que sempre vão falar disso com ele. E eu acho realmente surpreendente que ele ainda não tenha elaborado uma boa resposta pra isso. No twitter, ele fez pior. Tentando AFASTAR a imagem de subcelebridade, ele acabou por se comportar como uma. Primeiro, ele agregou fãs. Que começaram a bater boca por ele. E falar o quanto ele é incrível. Isso já mostra um pouco da dinâmica mesmo. Ele não debateu ideias ou explicou as "acusações". Eu sigo duas deputadas. A Manuela e a Erundina. Eu cheguei a seguir o Jean também. Parei porque ela flooda minha timeline. Ao contrário das duas, ele faz um uso mais pessoal do twitter. E tem aquele hábito que eu ODEIO. Que alguns amigos fazem também. Ele dá reply com ponto final na frente. Pra que todos leiam a maravilha que ele está falando. A Manuela e a Erundina só falam de trabalho. E respondem questões. O Jean declama poesia, dá opinião a respeito da programação da TV. Como se ele estivesse entre amigos. E aí, pra mim, está o cacoete de ex-BBB outra vez. O Jean é "ele mesmo" no twitter. Trata o tal do microblog como ferramenta de compartilhar a intimidade. Ele venceu um BBB assim, natural que veja vantagem nesse tipo de exibição. Mas, né? Quem não aguenta, bebe leite. No twitter as pessoas perguntam coisas. Dão indiretas. Coisas assim. O que fica pra mim, é mesmo a inabilidade para usar e a falta de humildade pra buscar ajuda. Ele bateu boca com militante do partido dele. Não estamos falando de partidários do Bolsonaro. E pelo motivo mais corriqueiro EVER.

Jean, você acha que você foi eleito por causa do BBB?


Pelamor. O cara não tá pronto pra responder isso. Tá pronto pra que, então?

Ah, sim. Mais do que qualquer uma dessas coisas. O twitter é o lugar das polêmicas inúteis etc. É mesmo. Entrou totalmente numas de só fazer sentido ali e blá.

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Sat, 08 Oct 2011 16:59:00 -0700 Untitled http://maryw.posterous.com/74686029 http://maryw.posterous.com/74686029

 

Monique

Nada do que é feminino me é estranho. Porque, né? Acabo carregando e sofrendo com toda essa construção. Então eu fico toda feliz com esse encaminhamento aí: ver a Monique Evans saindo campeã da Fazenda. Eu acho que uma das grandes facilidades para ela, no jogo, foi a imbecilidade dos participantes. Em relação a quem foi ela e o que ela representa. Acho que eles não entendem mesmo o que era um símbolo sexual na década de 80. Que era quase que um símbolo sexual total. Não deixava brechas. Cobria todos os flancos e se tornava onipresente. Eu não sei se a Monique Evans foi o último símbolo sexual total. Mas é dela que eu mais me lembro. E a possibilidade de pensar sobre quem ela foi e dos significados que ela deixou é uma das coisas mais legais dessa edição. Eu podia falar sobre a ignorância dos meninos em relação a ela. A velha, um deles dizia. Tem inúmeras camadas a participação dela. A primeira, e super interessante, é aquela mesmo. De ver uma das mais belas mulheres do país envelhecer. Compartilhar desse envelhecimento. Mancar com o joelho dela. Ter empatia pelos lapsos de memória. Das ressignificações que o feminismo tanto discute. Ver minha mãe se identificar com ela. Se sentir, enfim, igual à Monique. Eu não sei o que minha mãe achava dela. Não me lembro. Mas há, né? Aquilo de dizer que símbolos sexuais são objetos e que se prestam a um papel que não deviam. É um discurso que a gente ouve sobre. E tem umas maravilhas no anacronismo. E agora minha mãe diz. Da vida dura da Monique. Nas passarelas, fodendo com o joelho. Eu estou falando mas não me lembro. Se minha mãe chegou a achar que a vida dela foi mansa. Essa é uma camada interessante. E que se desdobra. E a gente vê a Monique olhando pras outras meninas. E ela finge olhar pra Raquel. Mas a gente sabe que ela olha pra Joana. Eu sou você amanhã?, você pode perguntar se é isso que ela vê. Mas não é. Ela vê avanços, eu acho. Ela tem essa admiração pela Joana. E é avanço da condição feminina mesmo. Esse lance de colocar-se mesmo. Joana se coloca como ela nunca conseguiu. A Joana também olha pra Monique. E eu acho mesmo que o bom desempenho delas no jogo tem a ver com isso. Um dia a Joana disse que achava o máximo a maquiagem da Monique. Porque, né? Há esse papo de que não sobra nada pra quem vive de beleza. Envelhece e não sobra nada. E ai. Sobra tanta coisa. E a Titia Monique desceu do Olimpo. E ensinou Joana a pintar os olhos. E ela ficou tão linda. E a gente tem as dua atitudes ali, vencendo o jogo. Porque alguém disse que o justo seria dividir o prêmio. A mais pura verdade. Porque elas jogaram em dupla mesmo. E cada uma dentro da sua característica. Monique sacou que o Gui era o vilão. E a despeito dele ser forte dentro da casa, resolveu expor essa situação. E se tornou repetitiva. E ia pra todas as roças. E ia tirando todo mundo. Chegou a hora do Gui. E ele se foi. Mas o trabalho ainda não tinha terminado. Era preciso lembrar o tempo todo quem se aliou a ele. E quem ficou em cima do muro. A Monique fez isso à exaustão. Mas de que adiantaria se houvesse confrontos antecipados? Nada. Então Joana Machado. Fez uma aliança. E infelizmente teve que contar com duas personagens imbecis e potencialmente traíras. A Valesca e a Raquel. Não foi fácil pra Joana. Ela teve que por muito dedo na cara. Dar muita bronca e costurar isso com mão de ferro. E costurou. Levou nas costas as duas tontas. E ficou com ela também a missão de GANHAR AS PROVAS. E fez tudo com maestria. Eu acho que a Joana fez a parte prática (inclusive nos confrontos com o Gui) e a Monique fez a parte moral. De apontar porque cada um deveria sair. Mas aí tem o velho e bom problema. E eu não sei me posicionar porque não tenho realmente certeza. Joana e Monique jogaram e venceram. Mas. Pero. Só uma ganha os 2 milhões. E então começa aquele maravilhoso processo. Uma tem que puxar o tapete da outra. Eu adoro final de reality show por isso. A puxada de tapete tem que ser sutil. Você não pode irritar o público. O público gosta do Daniel e da Maria. Da Pink e o do Jean. Como proceder? E aí, me parece, que a Joana se precipitou. Mas não tenho mesmo certeza. A volta da Raquel também mudou a Monique, né? A Titia tem certeza que a Raquel é favorita. Então eu realmente não sei. Se a Monique puxou o tapete da Joana com a volta da Raquel. Ou se a Joana quis queimar a Monique se aliando ao Marlon de última hora (ela confiava que o Marlon venceria a prova). Pode ser que o movimento tenha sido das duas. Anyway, foi no tempo errado. Temos aí uma roça difícil pra Joana. E se ela sair, a final fica difícil pra Monique. Quem não conhece a História está condenado a repeti-la. O ano é 2002. O programa é a Casa dos Artistas (2a edição). A final é entre André Gonçalves e Feiticeira. O vencedo é o filho da Vanusa. Acho que não preciso falar mais nada. Um dos mais belos jogos da história dos realities esse da Fazenda 4. Que não acabe mal.

 

Você deve achar que eu tô torcendo pra Monique. Mas eu não estou. Parece incrível mas eu estou torcendo pras duas de maneira idêntica. Vamos ver na quarta-feira. Pra onde vai meu coração. Porque sim. Eu acho que a Joana passa essa roça.

 

A participação da Monique foi mais divertida que a da Joana. Foi a mais divertida DE TODAS, inclusive. Engraçado que os comentaristas de TV falam que o Dinei que era o divertido. Dá bem a medida do que é humor hoje no Brasil. Monique Evans é pateta. Monique Evans nos comove com coisas idiotas. Esse vídeo é, com certeza, o melhor momento de TODO o programa. Ela encasquetou, também, que a perua achava que era a mãe do filhote de pato. Ninguém deu bola pra ela. E ela tem tentando resolver esse problema. As situações cômicas não tem a ver com fazer gracinha. Isso que os comentaristas tem que entender. O que o Dinei faz? Se veste de mulher. Mostra a bunda. Isso não é engraçado. A vida é engraçada. Tem pessoas que tem essa relação de patetice com a vida. Então ela foi a participante mais engraçada do programa. Me cansou demais ver essa relação sendo estabelecida à exaustão. Dinei = alegria. Monique = tristeza. Que planeta é esse que as pessoas estão vivendo?

 

Eu recomendo fortemente o vídeo. Fortemente mesmo.

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Thu, 06 Oct 2011 21:15:00 -0700 Untitled http://maryw.posterous.com/74427401 http://maryw.posterous.com/74427401

Steve-jobs1

Mary diz:

 e isso das pessoas colocarem o avatar de desenho animado, xris?

 as pessoas sao idiotas?

Christiane diz:

 HAHAHAHAHAHAH

 sao, né

 tao malucas com tanta novidade acontecendo na internet

Mary diz:

 né?

 aderem a qualquer coisa

Christiane diz:

 nao sabem se choram a morte do steve jobs e q desenho escolher

 tao malucas q precisam fazer os dois

 no mesmo dia

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Wed, 05 Oct 2011 14:06:00 -0700 Untitled http://maryw.posterous.com/74202018 http://maryw.posterous.com/74202018

Eu recebi um telefonema hoje que me deixou super balançada. Tem um garoto aqui (ele não é mais um garoto, mas é bem mais novo que eu) que tá organizando um partido na cidade. O PHS é o partido. Aqui no interior é entra e sai de partido. Porque o que importa é conseguir espaço pra se candidatar etc. Daí ele quer um partido super radical pra azucrinar as eleições municipais. Acabar com a oficialidade. Esse garoto era do PT, mas aconteceu muita coisa no PT daqui, na época eu cheguei a contar no blog. Talvez eu conte de novo, porque já faz tempo. Eu sei que ele foi expulso e mais um monte de gente (inclusive as pessoas mais próximas a mim). Ele nunca gostou de partido. Porque ele se intitula anarquista. Mas ele tá ficando mais véio e tá achando que tem que mudar o sistema por dentro. Aquele papo. Sei que ele quer que eu entre no PHS. E diz que me acha parte fundamental. Eu sou super respeitada aqui na cidade. Por conta de uma coluna tatibitati que eu tenho no jornal local. E porque só existem 2 sociólogos na cidade e a gente palpita em tudo e faz mais de uma palestra por mês. Ele não quer gente muito metida com política, o garoto. Eu perguntei se era um movimento pela ética na política. Me disseram que também, mas queriam mesmo era lançar pra eleição municipal uma plataforma meio anarquista de cultura e arte. O lance, parece, é anarquizar as eleições do ano que vem. Eu gosto muito desse garoto, embora a gente nunca tenha se dado bem. Ele já me humilhou publicamente. Uma vez eu tava no bar da moda da cidade, lotado de gente, e ele começou a gritar e me chamar de "burguesa". Ele é esse tipo. Que xinga de burguês. Sei que eu super tenho vontade de anarquizar (?) eleições. Mesmo que seja assim. Xingando as pessoas e dizendo que elas são vendidas. Termina de tomar sua coca-cola* imperialista e DEPOIS a gente discute. Mas aí ele escolhe o PHS? Fui no site do partido e tem Deus pra todo lado. Se fosse um partido de extrema-esquerda, eu super dava um jeito. Que vergonha ser do PHS. Ele é anarquista e acha que partido é tudo a mesma coisa. Mas eu não sou anarquista. Nunca nem flertei com anarquismo na minha vida. Anyway a ideia seria ter um número interessante de candidatos a vereador pra garantir a eleição dele. Eu queria que ele fosse vereador. Mas me sentiria meio que fazendo política estudantil. O caso é que devo não entrar nessa. Mas tô super inclinada a entrar. Talvez seja isso que eu esteja querendo. Fazer política estudantil. Ele foi meu aluno na faculdade. Depois que se formou, nunca mais teve DCE. Morreu com ele. E às vezes a subversão tem que ser meio folclórica. Tem jornalista no partido dele. Uns músicos. Acho que eu vou fazer meio que o papel da credibilidade. Veja bem. Tenho até sexta pra decidir.

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Sat, 01 Oct 2011 00:31:00 -0700 Untitled http://maryw.posterous.com/73373009 http://maryw.posterous.com/73373009

Shaksgo

A timeline, essa entidade, falou. Que ela é *a* latinidade. Que ela só faz playback. Teve gente que gravou o show pra ver de novo. Disseram que a calça dela era tatuagem. Que ela chama anônimas no palco pra valorizar o rebolado. Tinha gente que queria Rabiosa. Teve um ou outro emburrado com Waka Waka. #dungafeelings. Teve de tudo, viu? Mas, né? Tinha um pessoal que adorava. Que cantou tudo. E que só sabia gritar uma coisa:

 

"Shakira. Shakira"

 

Esse pessoal sou eu. Gracia, Colômbia.

 

 

Você deve estar pensando. Que eu tô rifando a Gwyneth. Não tô. Vou fazer maior folia com o marido dela :P

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Thu, 22 Sep 2011 12:30:59 -0700 Untitled http://maryw.posterous.com/71730695 http://maryw.posterous.com/71730695

Mor_picture_image_digital_art

Qualquer sociólogo de araque sabe que os partidos políticos estão esgotados. Que as manifestações tendem a vir, agora, de maneira difusa e caótica. A gente fica olhando pra primavera árabe e pra Londres. E pensando. Será que vai? Será que é isso? E aí tem as marchas no Brasil. Alguns dizem que as Marchas são restritas à classe média. Eu acho que são mais restritas ainda. É uma classe média que faz um uso específico da internet. Eu não consigo usar essas marchas como exemplo em sala de aula, por exemplo. E nem em reunião de família. Porque ninguém sabe do que eu tô falando. Então não são marchas de primavera. Mas apontam para um tipo de politização. Que, me parece, é um dos possíveis. Que é uma politização de fundo emocional mesmo. Tem gente que gosta de TODAS marchas. Que acha que quando as pessoas saem pra marchar, algo acontece. E que mesmo uma marcha oba-oba pode levar a questionamentos mais sérios e à percepção de que as coisas se resolvem com política. Tem aqueles que não gostam de NENHUMA marcha. Consideram que a festa substitui o debate e que os assuntos permanecem sempre na estaca zero. As mobilizações são feitas para atrair um grande número de pessoas então não é possível especificar nenhum assunto nem aprofundá-lo. Dentro do guarda-chuva precisa caber todo mundo. Mas agora exite um novo tipo de crítico. É aquele que critica as marchas se elas forem CONTRA O GOVERNO. Você vai me dizer que sempre existiu esse tipo. Que todo governo sempre teve seus puxa-sacos e que tem um tipo de gente que é meio oficialista mesmo. E eu vou te dizer tá bom. Eu sei. Mas há uma diferença crucial agora. Essas pessoas. Os puxa sacos, pelegos e oficialistas. Bem. Agora eles são meus amigos. Minhas namoradas e amantes. É uma gente que. Sério. É capaz de sair sambando numa marcha Arrasa, Dilma hoje. E escrever teses contra a marcha do Viva os Golfinhos amanhã. Assim. Se o organizador da associação de golfinhos disser que esse governo não tem proposta pra golfinho. Cara. Esse meu pessoal (amigo/amante/namorada). Nossa. Esse pessoal fica puto. E mostra 1) como os golfinhos eram tratados na era FHC. 2) Que a reivindicação é classe média. E que pobre não tem tempo pra golfinho. Que tá comendo lambari e não sei quê. Virou uma coisa mecânica nessas pessoas aí. No meu pessoal. Eu já sei tudo o que vai acontecer. Com qualquer coisa. Porque é a ÚNICA forma de funcionamento que eles tem.

Mas aí aconteceram duas coisas nos últimos dias. E eu acho que vale contar. Porque eu descobri isso também. Que meu distanciamento do blog vem disso. Eu não posso mais falar sobre feminismo, petismo e política. Porque simplesmente vou acabar ofendendo/magoando muita gente. Porque eu considero mesmo que as pessoas estão idiotizadas e batendo bumbo em volta de um partido político que realmente não corresponde.

O primeiro caso foi o do dirigente petista de BH. Que estuprou a entedeada de 9 anos. Ele participou da organização de um evento que eu não sei direito pra que serve. Mas tem o sugestivo e modernoso título de Bloguemus Quae Sera Tamen. O tal evento foi amplamente divulgado na minha timeline. Quando descobriram quem era o cara, a reação de repúdio foi imensa. Mas isso pra mim não resolve o principal. Que é o seguinte. Ficou todo mundo divulgando sem parar um evento que, na verdade, ninguém sabe direito o que é. Quem participa. Pra que serve. Eu vi as pessoas ali servindo ao PT mesmo. Passando verniz de modernoso num PT machista e criminoso. Num partido que se afastou mesmo de qualquer ideal ético. Com o twitter, os líderes agora se aproximam do público. E você não arranca nada desses líderes. Essa aproximação, parece, só serve para iludir mais meus amigos, namoradas e amantes. E eles ficam vomitando informação oficial. E dizendo coisas como "obrigado, senador". Porque o senador falou assim. Estamos apurando e providências serão tomadas. Coisas que a gente nem escuta. A versão oficial é blábláblá. Não pro meu pessoal. O meu pessoal acredita no partido. O tempo inteiro e sem trégua pra reflexão.

O segundo caso foi da Comissão da Verdade. Que foi aprovada ontem. Sério. Várias pessoas na minha timeline afirmaram estar CHORANDO nesse momento tão significante. Outras mandavam beijos para os argentinos. E diziam que nós também íamos buscar a nossa verdade. E enquanto isso. Alguns tontos e bons lá no Buzz mandavam uns links. Do grupo Tortura Nunca Mais dizendo que é melhor NÃO ter comissão nenhuma do que essa que ia ser aprovada. A Erundina e o Safatle (?) esperneando. Reportagens explicando que nosso prazo na OEA tava expirando. Na minha timeline, porém, a balada era bem outra. Euforia. Conquista. Braços dados indo avante. O meu pessoal não bobeia. E começa a falar que maravilha uma presidente torturada falar na onu e aprovar comissão da verdade. Assim. Tudo junto e misturado.

Aí eu páro tudo mesmo. E escolho esse momento para sair do armário. E avisar pro meu pessoal:

 

Eu não tô gostando do governo Dilma.


Embora adore a figura dela. Eu gosto da Dilma Roussef. Mas acho que o governo dela está sendo uma lástima. Os melhores momentos TODOS são relativos à faxina que ela fez. Não, eu não me incomodo com o termo. Acredito mesmo que é uma grande chance que ela tem. De retomar a bandeira da ética. Para que no futuro, petistas não tenham que se opor à marcha da corrupção. Mas ainda é pouco para eu gostar de um governo. O voto mais difícil que eu dei pra presidente foi pro Lula em 2006. Na Dilma eu votei bem fácil. Eu sabia o tamanho da encrenca que era essa aliança dela. Mas não quis pensar muito no assunto. Pois bem. Não tô gostando MESMO.

O caso é que fica parecendo que meus amigos/namoradas/amantes mudaram demais. Eles costumavam ser mais inteligentes que o blogprog e o PT somados. E agora viraram meninos e meninas de recados, me parece. Mas pode ser que eu que tenha mudado. E que eu tenha virado uma direitoba que não percebe os rumos revolucionários desse governo. Tudo pode ser. Vamos acompanhar.

 

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Wed, 21 Sep 2011 07:52:56 -0700 Untitled http://maryw.posterous.com/71499633 http://maryw.posterous.com/71499633

Ontem os alunos de jornalismo me apresentaram um trabalho. Basicamente eles tinham que escolher um projeto em tramitação na Câmara dos Vereadores e conversar com um vereador a favor do projeto. Um vereador contra o projeto. E analisar se o posicionamento tinha algum alinhamento partidário. Eles adoraram fazer isso. E coisas bem engraçadas aconteceram. Porque eu tenho alunos que moram em cidades muito pequenas e tal. Daí teve vereador que não quis atender e mentiu dizendo que tava viajando. E a aluna encontrou com ele no posto de gasolina. Dois alunos tiveram que esperar o advogado dos vereadoes chegar. Porque eles só falariam na presença de. Uma outra contou que o presidente da Câmara da cidade dela disse que a Câmara tinha vários projetos mas só conseguiu mostrar um (sobre mudança de nome de rua). E eu já sabia que vinha engraçado DEMAIS o negócio. Porque os alunos me contavam nos corredores. Então eu fiquei com medo da aula descambar prum deboche total da política. E levei um texto super curto, pra gente ler em conjunto depois da apresentação. É um texto dando dados e discutindo o voto nulo. Num esquema Nulo: sim ou não?. E não deu outra. Foi super debochada a aula. E coisas muito legais apareceram. Um dos garotos que teve que "enfrentar" o advogado encenou e ele é todo gay e sarcástico. E disse que fez cara de quem sabia mais coisas e ficava rabiscando no bloquinho pra eles pensarem que eram anotações. E a sala curtindo um monte. E a aluna do projeto do nome da rua conseguiu falar com o único vereador que não é exatamente contrário ao projeto mas considera perda de tempo debater isso. E ficou ótimo o trabalho da aluna. Que ela acabou falando com profundidade disso aí e eu curto demais quando alguém tira leite de pedra. Um monte de história boa. Ah. Uma aluna fez uma coisa GENIAL. Ela entrevistou uma ex-vereadora e ex-prefeita a respeito da reforma da praça que aconteceu aqui há uns anos. E foi um dos projetos mais polêmicos da história da cidade. E ela fez esse resgate aí. Uma entrevista imensa que ela nem soube editar direito, tadinha. O caso é que no final tava todo mundo debochando. O garoto do advogado confessando que por isso odiava política e que tinha votado no Tiririca. E então lemos o texto, com as informações. A gente lia as informações e falava sobre elas. A sala é pequena. São 16 alunos. Aí tava lá no textinho: 30% dos brasileiros não sabem o nome do governador, 20% não sabem dizer o presidente. E eu perguntei quem era presidente do Brasil. E todo mundo sabia. E aí eu perguntei quem era o governador do estado. Eu tenho, nessa sala, 5 alunos que moram em Minas Gerais. Lembrando que eu moro na fronteira entre os dois estados. Daí um paulista não sabia dizer que era o Alckimin. E dois mineiros não sabiam dizer que era Anastasia. E eu tenho um aluno baiano também. Ele tá morando aqui desde o ano passado, veio pra trabalhar na usina de cana mas é obrigado pela mulher a fazer faculdade à noite. E eu ele respondeu, meio baixo, que era o Alckimin. E eu perguntei pra brincar com ele. E o governador da Bahia? Você sabe?. Os outros alunos adoram que se fale da baianidade dele. Ele adora a bainidade dele. Ontem mesmo uma aluna disse que estava um cheiro diferente na sala e ele estava entrando e respondeu "é cheiro de macho baiano". Uma coisa assim. E eu perguntei quem era o governador da Bahia. E ele respondeu, me explicando. Professora, o governador da Bahia morreu.

*Os outros alunos começaram a rir. Deixa de ser burro, quando morre o governador o vice assume etc. E ele riu também. E falou é verdade, é verdade. E eu achei melhor não falar nada. Porque eu senti um nó na minha garganta. E se eu falasse alguma coisa, já sabe. Eu acabar chorando ali. E ele podia achar que eu também sou órfã do ACM.

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Wed, 31 Aug 2011 11:07:00 -0700 Untitled http://maryw.posterous.com/67780738 http://maryw.posterous.com/67780738

Eu li no Buzz algumas críticas a um artigo. O artigo reclama da maioria dos filmes, agora, virem dublados ao invés de legendados. É realmente uma praga isso, principalmente no interior. Você não dá conta de ver Harry Potter legendado por aqui. A distribuidora caga solenemente para o nosso prazer de ouvir a Minerva dizer Pottá. Enfim. No Buzz, as pessoas falavam sobre essa reclamação ser um mimimi classe média sofre. E tem me irritado um pouco essa retórica classe média sofre. Principalmente em relação às sensações. Sofisticar o paladar, por exemplo, é sempre ridicularizado. Na base do bão mesmo é pão com ovo. Eu discordo um monte disso aí. Mas um monte mesmo. Porque me parece mais uma tentativa de vetar à uma classe, no caso a classe C, experiência e sensações. Nesse caso da legenda, pra mim é isso. As experiências se constróem coletivamente no caso do cinema. E a experiência brasileira é a da legenda. E eu considero bem mais completa. Porque se o filme é gringo, nada mais justo que a gente capte essa atmosfera também. Não acho que a língua é um detalhe. Não acho que Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos é a mesma coisa em outra língua. Porque existe essa capacidade, né? Do bom cineasta usar o idioma como elemento forte da obra. Tipo Tropa de Elite não pode ser em português. Tem que ser em carioquês. Não pode nem um oxente nem um tchê lá. Porque é da experiência de subir o morro escutar aquela língua. Meus alunos saíram do filme falando outro idioma. Porque ficaram tocados. E conseguiram absorver um milhão de coisas do filme. Boas, ruins ou sei lá. Tô falando desse filme porque eu vi com eles. Eu vi um outro filme com eles, há muito tempo. Que foi Estação Carandiru. E também aconteceu isso. Deles começarem a falar como se fossem presidiários. Eu levei meus alunos no cinema essas duas vezes só. Vi alguns filmes na sala. No cinema, agendado, todo mundo, foram só essas vezes. Eu contei aqui essas duas vezes. E uma das coisas comoventes é ouvir mesmo. Muitos dizendo que nunca tinham ido. Primeira vez de um monte de aluno. Meus alunos moram em cidades muito pequenas. Os pais deles trabalharam na zona rural a vida inteira. E eles estão experimentando o Brasil lulista. Graças, principalmente, ao PROUNI. E ao aquecimento da economia. Eles são mecânicos e cabeleireiras. Um crássico da classe C. Uma aluna que vende roupa em casa tomou pau de psicologia comportamental. Chorando, desabafou pra mim. Quem ele (professor) pensa que é? Eu ganho mais que ele. E o que tá fazendo aqui, então? Porque ela tá fazendo psicologia? Eu não estudo isso. Não pesquiso isso. Eu só convivo com isso há 11 anos. E eu acho que ela quer ver filme com legenda. Eu acho que ela sabe que tem mais, e não sabe direito o que é esse mais. Mas ela quer. Ela não tem experiência de cinema. Ela tem experiência de TV. Então ela sabe o que é um filme na TV. Mas ela é inteligente. Ela sabe que não é só aquilo. Quando eu fazia o cineclube era comum demais os alunos me falarem. Eu nem sabia que existia isso, professora. Isso o quê? De diretor, essas coisas. Eu acho que a classe média intelectualizada brasileira tá passando por um processo que já é conhecido. Aconteceu isso já. Mas antes era a glorificação do estilo de vida do operário. Uma pinguinha, futebol de rua. Essa coisa que o Chico Buarque falava. Isso que era o bom da vida. O estilo dela, classe média intelectualizada, devia ser só ridicularizado. Até que o Lula avisou que ia por terno Armani e tomar vinho italiano sim. Das coisas didáticas que ele fez pra esquerdinha aprender. E agora eu vejo isso. De glorificação da classe C. E eu sou esquerdinha. Então até tendo a fazer o mesmo. Mas o que a gente vê é outra coisa. Ontem meu monitor não ligava. Eu fui pra faculdade com ele. Pros meninos do TI olharem. Esses meninos são super batalhadores do Brasil. Trabalham o dia inteiro e emendam na faculdade, em aula. Vivem tendo que sair da sala pra fazer alguma coisa que a direção da faculdade manda. Trabalham e estudam misturado. Eles tem uma salinha. São três meninos que ficam lá. Eu gosto demais de hardware então chego e sento porque eles me ensinam coisas. Eu cheguei, falei do meu problema e vi que um deles, o Fred, estava lendo. Daí vi que era um livro de inglês. E ele começou a me falar que tá fazendo Wizard e tal. Então ele tem bolsa na faculdade. Ganha pouco mais de um salário mínimo. E resolve gastar uma parte desse dinheiro fazendo Wizard. Então sobre esse negócio de legenda X dublagem tem isso. Tem gente se esforçando pra não precisar de nenhum dos dois. O que seria genuíno na cultura classe C do Fred? Continuar com os erros de concordância regionais? Falar um só idioma e com muito orgulho? Fazer  churrasco com música sertaneja pra sempre? Viajar pro Guarujá? Ele não pode ir pra Buenos Aires? Não pode tomar caipirinha de saquê? Não pode descobrir que Cinema é algo que vai além dos filmes do Daniel Filho? Não trará nenhum benefício pra ele desvendar Bergman? Ele não pode tentar esse prazer? Ele não dá conta? Ah, mas tudo bem não dar conta, Bergman não é nada, é só um capricho da classe média tradicional. Eu já tive aluno que respondeu uma prova minha de Weber com poesia concreta. Que ele faz. Eu postei aqui os poemas. O que você faz da vida, moleque?, isso que eu perguntei pra ele. Ele tinha acabado de passar na prova pra PM. Faz bico de segurança na boate até hoje. Que ele nunca tenha tido a possibilidade de ver filmes fora da TV, que ele nunca tenha entrado num museu. Cara. Isso é o fim da picada. Não é valorizar isso ou aquilo. Nem passa perto de dizer que as vivências dele tem menos valor. Só que ele não teve acesso nenhum a bens culturais que para mim, por exemplo, são quase que banais. Querer que ele fique fixado num lugar por conta de limitações que são solamente ECONÔMICAS. É quase criminoso. Pelo menos os cinco sentidos, né? Que a espécie humana conseguiu ampliar de maneira inacreditável. Que viver pra ele tenha mais som e sabor. Acho que é só disso que se trata. Acho que é só isso que ele quer.

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Tue, 14 Jun 2011 13:01:37 -0700 Untitled http://maryw.posterous.com/57180217 http://maryw.posterous.com/57180217

Lc_3179_um_dia

Eu fiquei tão empolgada com esse livro que tava querendo transcrever uns trechos aqui. Tipo a parte em que ela arruma o namorado que faz stand up comedy e acaba fazendo todas aquelas reflexões sobre comédia. Emma Morley é a mulher da minha vida e fiquei querendo avisar todo mundo e tals. Daí tem as partes todas dele. E ele é tão metido a sofisticado e eu já venho concordando com isso. Tipo é um pensamento esquerdinha que eu tenho. Que o capitalismo foi tão esperto de nos vender essa tal de sofisticação cultural ou étnica. Eu tinha lido sobre isso há tempos. Naquele livro Bubos no Paraíso e nesse livro o protagonista só faz isso. E Dexter Mayhew, então, sou eu. Eu que não compro roupa mas fico atrás de cerveja escocesa e experimentando vinhos chilenos e acaba que eu sou uma consumidora. Mas me acho diferenciada porque consumo vivências e não mercadorias simples. Ui. O caso é que o casal em questão chega ao cume de onde a classe média intelectualizada pode chegar e daí que a gente simplesmente adora ficar lendo o livro e essa coisa. Eu fiquei doida quando ouvi falar dele. Porque eu ADORO livro pop inglês. Assim. Eu ADORO. E eu tava naquele ponto de bala. De ficar recomendando e comprando exemplares e dando pros meus amigos. Mas ontem eu terminei o livro. Umas 3 da manhã. E eu chorava tanto. Eu tinha que parar de ler, pra enxugar lágrimas. Porque eu nem enxergava as páginas, de tanto que eu chorava. Ai, meu Deus que merda, isso que eu ficava pensando e cogitei abandonar mesmo a leitura. E nem sei mesmo o motivo de eu ter continuado e chegado até o fim.  Só pra dizer que então eu não recomendo mais pra ninguém essa bosta de livro. E embora eu tenha amado a parte do stand up comedy, vou esquecê-la. Veja que proeza do senhor David Nichols. Conseguiu ir do meu top 5 pro fundo do poço. Babaca.

Uma das coisas mais geniais, do tempo em que o livro ainda era bom. Ele é todo garoto de ouro. Uma promessa de sucesso. E ela é uma pateta. Então acontece assim. Ele tem o auge muito cedo, enquanto ela não é nada. Só que daí ele entra em decadência e ela vai ascendendo, né? Então a idade cai muito mal a ele e muito bem a ela.

A ideia do livro é muito boa. Acho que todo mundo sabe qual é. O autor escolhe um dia, 15 de julho, e conta como eles estão nesse dia. Durante 20 anos. E não tem continuidade então. Cada capítulo é um 15 de julho. E só esse dia. Isso é incrível de qualquer ponto de vista. E seria bem interessante se a gente pudesse fazer isso com a própria vida. E ter algum registro de como foi esse dia. Tipo 14 de junho da Mary W. nos últimos 20 anos etc. Quem tem diário tem isso.

Eu sei que virou um filme com a Anne Hathaway. Mas eu não consegui nem ver o trailler ainda. Porque o Speedy tá uma bosta.

A última conversa deles sobre política também me encantou demais. Tudo mais ou menos o que eu acho o Dexter falou pra Emma.

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Dsc07913

Eu tenho uma priminha chamada Polyana. Ela tem 6 anos e é a criança mais magrela do mundo. Um dia ela chegou aqui em casa e disse que estava ficando muito forte. Ela apertou meus dedos e eu constatei que uau. Muito forte. Daí fiquei dizendo que ela era forte demais e que se tornaria totalmente imbatível e que o universo estava, então, dominado. Ela riu muito disso tudo, mas quis saber. Será que eu aguento pegar o Nonô no colo? O Nonô é o meu gato mais gordo e grande. Eu penso isso porque achei tão incrível e comovente o tal do videoclip mais comentado da cidade. E ele ter sido feito em apenas UM plano sequência é algo genial do ponto de vista artístico. E na timeline* o pessoal ficou focado numa rima da música. Que é uma rima inusitada. Quer dizer. É inusitada pra você. Que não tem priminhas e gatos gordos. Pra mim não é. Esse desconserto com a rima é JUSTAMENTE o charme da música. Porque traz esse elemento naif pro negócio. Eternidade/três vidas inteiras teria para nós, adultos, um efeito muito mais lírico e imponente do que penteadeira ou coisa desse tipo. Mas a gente sabe que não tem. Eternidade e penteadeira são coisas do mundo. Criadas por nós, homens e mulheres. Quem acha que penteadeira é MENOR que eternidade perdeu a capacidade criativa. Você que acha que dominar o mundo é o que de melhor pode acontecer. Tem gente que acha que o melhor que pode acontecer é pegar o Nonô no colo. Esse caminho artístico, pra mim, é o mais legal. Sair da sublimação total. Trazer pro concreto. A música é sobre transformar o coração em algo concreto. E o coração é concreto à medida que é um órgão do corpo. Mas não é desse coração que ele tá falando. Ele tá falando do coração simbolicamente consagrado. O lugar do amor. Abstrato por definição. Já que amor nem existe se comparado à penteadeira. E aí troca. Porque o coração cabe em um monte de lugar. Inclusive na penteadeira. Mas ó. O meu amor cabe no coração. Mas o meu amor não cabe na penteadeira. E então a penteadeira cabe no coração. A inversão é toda ingênua e fofa. E ele avisa no começo. Que coração não é tão simples quanto você pensa. E aí ele explica esse funcionamento do coração aí. E diz que quer SALVAR o seu coração. Mas não dá conta, né? Ninguém salva um coração tuiteiro. Coração que tá sempre fazendo piada tosca, entrando em polêmica barata ou sendo blasé em relação às coisas que são simplesmente bonitas.


Oração
A Banda Mais Bonita da Cidade

Meu amor essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor
Essa é a última oração pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa

Cabe o meu amor!
Cabe a eternidade inteira
Cabe uma penteadeira
Cabe essa oração

*Timeline, hoje, é o mundo sem coração. Nunca vi igual. Eu esperava que o blasé fosse dominar o mundo, mas não imaginava que eu fosse ficar tão sem reação diante disso. Porque, obviamente, eu me considerava blasé. Mas eu não sou não. Eu sou a poça de fofura nesse poço de ironia.

Eu não sei como você ficou sabendo da música. Eu recebi. E alguém me disse quando mandou que a banda é essa. Mas que a menina mais bonita da cidade sou eu. Desculpa aí. Chatos.

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Lacraia

De todos os memes de internet, foi um dos que eu mais gostei. Esse aí. Tratando a Eguinha Pocotó como se fosse um clássico da literatura que cai no vestibular. Eu respondi isso em 2003. Veja bem. Nem tinha meme, só algo meio do tipo. Eu não consigo entender as verdadeiras intenções da brincadeira. Acho que depende de quem lê. Talvez a pessoa que montou considere Eguinha Pocotó a decadência da cultura. Talvez consiga perceber uma centelha de revolução nela. Eu consigo perceber. Lembro que quando a música saiu, alguns diziam "oh, meu deus, e agora? qual será o próximo passo para o abismo?". E a verdade é que não teve grandes passos. Porque A Eguinha Pocotó é puro gênio. E vamos combinar que gênio não aparece toda hora. As questões são o meme. As respostas eu que dei. Não sei se responderia assim hoje. Mas tô com preguiça de atualizar. Só pra homenagear mesmo. Uma pessoa que eu considerava uau na cultura popular.


 

VESTIBULAR UNICAMP no ano 2046
PROVA DE LITERATURA BRASILEIRA

1. Leia o trecho do poema abaixo e responda as questões:


"O jumento e o cavalinho
eles nunca andam só
quando sai pra passeá
levam a égua pocotó"
(Éguinha Pocotó, Mc Serginho, 2003)

a) A forma adotada pelo autor do texto leva o leitor a uma reflexão crítica a cerca de alguns elementos do estilo literário da época, ao mesmo tempo em que insere temáticas dotadas de valor universal. Assinale a passagem em que o autor expressa com maior intensidade este dualismo. Identifique a figura de linguagem adotada.

Mary III: O tema universal identificado no texto é a Solidão. Ele perspassa o poema de McSerginho, que utiliza-se de animais para construir uma metáfora vigorosa e, ainda, presa a gêneros. É importante considerar que a homossexualidade era vista como um tabu no início do século, então a Égua Pocotó seria elemento fundamental dentro da narrativa. Ela encarna a possibilidade de completude carnal. O pocotoísmo é marcado também pelo "escapismo carnal", sendo o gozo a forma encontrada para resolver crises existenciais profundas. O poeta, integrante da ala conservadora do movimento funk, resolve o dilema fim da crise/gozo inserindo metaforicamente um elemento feminino no contexto.

b) Ao posicionar em um mesmo patamar personagens que até o momento só haviam sido tratados com a devida separação de classes, coloca o autor "o jumento e o cavalinho" como uma paródia da realidade social do país na época. O brilhantismo desta visão crítica é destacado por expressões que para um leitor menos atento podem parecer erros gramaticais, mas que na verdade geraram uma nova aplicabilidade da língua portuguesa. Identifique estes trechos e as inovações gramaticais por eles introduzidos.

Mary III: A separação por classes, ainda que seja um elemento a ser considerado, não é o fundamental no poema. A geração do começo do século é fortemente marcada pelo movimento filosófico Multicultural, que procurava um novo enfoque para as diferenças. O Jumento, então, transforma-se no catalisador dessa nova tendência ao ser colocado lado a lado com o Cavalo - até então figura equina dominante no cenário. Note que ele se refere a "cavalinho", numa clara tentativa de inverter os códigos hierárquicos até então estabelecidos. A retirada do "R" das formas verbais seria, na verdade, a voz do Jumento. Voz que começa a ser ouvida apenas no fim do século XX.

c) Eleita como acompanhante nos passeios dos dois protagonistas, a Égua Pocotó rompe a solidão até então predominante no panorama urbano estabelecido. Mais do que um triângulo amoroso convencional, o autor atribui aos personagens um status que transcende a natureza metafísica convencional. Emerge então o caráter feminino, no auge de sua auto-afirmação como contraponto ao pansexualismo. Descreva o papel da Égua Pocotó como elemento de instabilidade no equilíbrio social do início do século XXI.

Mary III: A visão da Égua Pocotó como elemento de instabilidade é apenas uma das leituras possíveis. A Égua pode ser entendida também como o feminino em crise. Note que apenas "quando sai pra passeá" é que a Égua vai junto. Então há uma reificação de espaços, sendo que o da Égua continua sendo o espaço privado e do lazer. O Jumento e o Cavalinho parecem excluí-la do espaço público e do mundo do trabalho.

d) O texto de Mc Serginho, precursor do movimento literário-cultural denominado pocotoísmo, propõe uma nova métrica e abordagem ao texto poético. Alguns críticos da época chegaram a compará-lo à "pedra no caminho" de Drummond, um poeta de menor importância no século XX, injustiça revertida mais tarde com a identificação da sua efetiva quebra de paradigma literário. Compare o estilo da obra de MC Serginho com os autores clássicos do século XX e justifique a relevância de sua obra."

Mary III: Mc Serginho chega mesmo a dialogar com a "pedra no caminho". A Égua seria a pedra no caminho do Jumento e do Cavalinho que seriam impelidos a levá-la para passear. O elemento central do pocotoísmo, o escapismo carnal, seria então abalado pelo platonismo do Movimento Romântico do século XIX, a impossibilidade da união estaria focalizada na Égua. A utilização de animais para a construção da metáfora nos remete ao Arcadismo do século XVIII, com a diferença fundamental de que no Pocotoísmo os animais fazem parte do panorama urbano enquanto que os árcades gostariam de abandonar as cidades. Quanto ao modernismo, é clara a influência, também, da primeira geração sobre o autor. Mc Serginho usa versos livres e não tem preocupações formais com a linguagem. O poema nos remete imediatamente a "Os Sapos", de Manuel Bandeira.


Mary III é a minha neta.

(Segunda-feira, Março 10, 2003)

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